Mães malucas
Deveria haver uma espécie de disque-denúncia para casos de abuso psicológico de mães sobre filhos pequenos. Pensando bem, é um absurdo que uma pessoa, só por ter parido, exerça um poder tão absoluto sobre um serzinho indefeso como uma criança.
Já cansei de ver mães apelando para o “cuidado com o bicho papão” ou “você vai cair e morrer, se subir nessa cadeira”, para tentar controlar os seus pestinhas. Parece que, com a prática, algumas mães vão aperfeiçoando sadicamente suas ferramentas de controle. Descobrem que, além do medo, têm o poder de provocar a culpa.
Saca aquele marmanjo, barbado, que parece um bebê quando lembra que se esqueceu de ligar para a mãe? Agora percebo que o coitado foi adestrado desde pequeno, com esses instrumentos de tortura maternos.
Outro dia brinquei com a mãe de um menino de 6 anos, dizendo que eu tinha mais chances de passar os Natais com a minha filha, quando ela for adulta - já que as mulheres decidem a programação familiar - e ela ficou transtornada. “Digo sempre ao Júnior que eu morro se ele me abandonar um dia, porque ele é a razão da minha vida”. Tomara que a namorada do Júnior consiga convencê-lo a encarar algumas seções de análise…
Em matéria de mãe maluca, nada se compara à seguinte cena presenciada por mim no saudoso restaurante Ataulfo (parece que vai virar um Giuseppe, de massas): a mãe acaba sua taça de sorvete e percebe que o filho, de uns 4 anos, quase não comeu a dele. Imediatamente começa a dar colheradas no que sobrou, enquanto dispara, furiosa: “Viu, você não come nada e a mamãe engorda por sua causa, porque eu sou obrigada a comer o que você deixou.”
Eu sou essa que você acabou de descrever! My God!
Comentário de Eugênia Lopes — 12 de Junho de 2007 @ 19:08
Ma,
Estou no fechamento aqui, mas pensei no final de semana que dedicaria pelo menos meia horinha do dia hoje para o seu blog. E não é que foi uma decisão incrivelmente sábia. Estou adorando! Parabéns!!! Seus textos, como sempre, deliciosos, envolventes, cheios de espiritualidade.
Sobre este, aliás, isso não é só coisa só de mãe maluca. É também de esposa maluca, filhos malucos, maridos malucos, amigos malucos. Colocar a culpa em alguém por uma infelicidade da qual você não consegue se livrar é o fim do mundo! Quando se trata de um serzinho indefeso, então, aí acho que é irresponsabilidade mesmo.
beijos.
Comentário de Simone Azevedo — 25 de Junho de 2007 @ 12:21