Junho 2007

Arquivo Mensal

Por quê?

Publicado por Marta em 27 Jun 2007 | sob: Cotidiano

Por que as formigas não caem quando andam na parede? Minha filha está na fase dos porquês e de vez em quando em me embanano toda. Já são tantos os porquês assombrando o dia-a-dia dos adultos… Por que nenhum escândalo abala a popularidade do Lula? Por que “filhinhos de papai” espancam prostitutas e queimam mendigos? Por que só sabemos disso quando uma doméstica e um índio são vítimas por “engano”?

A musculação e o eterno retorno

Publicado por Marta em 26 Jun 2007 | sob: Comportamento

Eu era a única pessoa na face da terra que ainda não tinha um blog nem havia feito musculação. Resolvido o primeiro problema, lá fui eu tentar me relacionar com as engenhocas milagrosas que endurecem tudo e ainda garantem – segundo reportagens publicadas semanalmente em algum veículo – uma velhice saudável.

Estou tentando, juro. O problema não é o exercício em si – até gosto de sentir os músculos comparecendo, nos lugares do corpo onde jurava que nem existiam. O que pega é o ambiente da tal sala de musculação.

Não, não vou falar aqui do desfile de modas nem das peruas. Acho até interessante descobrir que o detalhe do top pode combinar com o solado do tênis Nike Air Max Cross Pump. Depois, sempre aparece uma senhora gordinha fora de moda, que leu a última matéria sobre as maravilhas da musculação.

O problema é o ritmo. Tem algo muito estranho no ritual que se desenvolve dentro de uma sala de musculação. As pessoas empurram, puxam, tracionam o tal aparelho, com toda a sua força e concentração, uma, duas, dez vezes. De repente, param. Ficam ali, sentadas, imóveis, olhando o nada. Teoricamente, estão esperando os músculos descansarem, para a próxima série. Mas essa explicação não tira o inusitado do momento.

Só observo tanto o vazio existencial do olhar que aguarda pacientemente a recomposição dos músculos pelo simples fato de que estou esperando a minha vez na dança das cadeiras – outra peculiaridade do estranho ritual da sala de musculação. Se você é um desses ETs que nunca “malhou”, saiba que é assim que funciona: um espera o outro sair do aparelho – ou pede para “revesar”.

Uma vez a atriz Fernanda Torres contou a sua sensação ao assistir, pela primeira vez, a um desfile de moda (um de verdade, no o das academias): achou bacana, mas havia um ar de anticlímax naquela entrada triunfal das modelos na passarela: “Elas chegam com cara de que vão declamar Nietzsche e vão embora sem dizer nada!”.

Na sala de musculação, quando acabo a minha série apenas para poder voltar depois, me sinto de forma parecida. Indo embora antes do clímax, antes de a partida terminar. Ou antes mesmo de ela ter começado…

Parto impróprio

Publicado por Marta em 25 Jun 2007 | sob: Femininas

Minha amiga Cristiana Soares postou em seu blog um vídeo mostrando um parto em casa. Era um filme emocionante, que revelava o quanto um parto pode ser descomplicado e natural. Não é que o vídeo foi retirado do Youtube, por ser considerado impróprio?

No blog (http://blogtalk-cristiana.blogspot.com), ela questiona se isso teria acontecido, caso o vídeo mostrasse uma cesariana em um centro cirúrgico, cercada de médicos. Sinceramente, acho que não.

Fiquei pensando em que fase da vida as pessoas são contaminadas, na nossa cultura, pelo pensamento de que parto normal é algo esquisito ou impróprio.

Quando a minha filha, então com 4 anos, me perguntou por onde saíam os bebês, tentei ser o mais natural possível - até porque nós duas vivemos juntas um parto lindo, normalíssimo. Observando a sua reação, logo percebi que ela estava meio chocada: “Quer dizer que às vezes os médicos têm que cortar a barriga das mamães???” Então expliquei que isso só acontecia raramente, quando os bebês estavam sentados e não conseguiam sair por baixo, pela “perereca”, e assim ela ficou mais aliviada.

Eu menti, é claro. As estatísticas mostram que o número de cesarianas é absurdo por aqui, e basta olhar em volta para confirmar a tendência. Como algumas mulheres que fizeram cesariana se sentem ofendidas ou julgadas com esse assunto, todo cuidado é pouco ao abordá-lo.

Sim, às vezes a cesariana é necessária, e a mulher não tem culpa nenhuma nisso! E sim, existe todo um aparato médico que induz à cesariana e trata a cirurgia como algo “normal”, e o parto normal como se fosse uma grande aventura.

Senti isso na pele, durante toda a minha gravidez. Volta e meia alguém me preparava para eu não ficar decepcionada com uma “eventual” cesária - como se no fundo aquele fosse o desfecho mais provável, senão o único. Me sentia lutando contra tudo e contra todos.

Com a ajuda do Zé, venci a tal luta. E confesso que nada nessa vida me deu a sensação de ser tão poderosa.

Na fila do passaporte

Publicado por Marta em 22 Jun 2007 | sob: Cotidiano

Hoje foi meu dia de sorte. Peguei a antepenúltima senha para tirar passaporte, na enooorme fila que tem se formado diariamente na frente da Polícia Federal, na Praça Mauá. Bem, foi mais ou menos sorte. Rolou uma dose de jeitinho.

Eu tinha acabado de chegar na fila, depois de um bravo esforço para madrugar, quando o policial apareceu contando o número de pessoas. “As senhas acabam aqui”, decretou, apontando um sujeito cinco lugares à minha frente. Houve um burburinho, as mulheres fizeram beicinho. “Puxa, quebra o nosso galho”, sugeriu uma delas, em tom pedinte. Nisso, eu já era a penúltima da fila. “Está bem”, disse o policial. “Como é o seu nome?”, perguntou para a nova lanterninha. “Rosana”, respondeu a menina de uns 20 e poucos anos. “A fila vai até a Rosana”, estabeleceu.

Mas aí chegou Janice. Cabelos longos, olhos grandes, também ameaçou fazer beicinho. “Está bem, vou arrumar senha até a Janice”, cedeu novamente. “Mas não deixem mais ninguém ficar na fila. Avisem que as senhas acabaram.” Respiramos os sete aliviados e nos entreolhamos, cúmplices.

Daí para frente, o que se passou foi muito curioso. Cada pessoa que chegava na fila era logo dissuadida a partir. “Acabaram as senhas”, avisava alguém. Rostos desolados, partiam com suas pastinhas cheias de documentos. Até que uma menina resolveu ficar. “Não é possível; deve ter um jeitinho para entrar só mais um.” Confiante, começou a contar sobre o engarrafamento que pegara e a tentativa frustrada na semana anterior. Devia ser boa de beicinho.

Mas ninguém ficou à vontade para conversar com ela. O silêncio foi quebrado por Rosana: “Acho difícil você conseguir, porque o policial parecia bem durão.”

Qual seria o limite do jeitinho, numa fila da Polícia Federal? Todos pensaram, mas ninguém comentou. Não sei se por influência do “papo-viagem” em volta, fiquei imaginando a fila para passaporte na Alemanha, qual seria a reação de um policial se alguém pedisse para “quebrar o galho”.

Uma policial - essa sim, durona - acabou com as esperanças dos retardatários que já começavam a se aglomerar. E a fila acabou mesmo em Janice - que, horas depois, parecia amiga de infância de Rosana.

Não compre nada hoje

Publicado por Marta em 20 Jun 2007 | sob: Cotidiano

Depois não diga que eu não avisei. Com o friozinho dos últimos dias, deu aquela vontade de comprar uma roupinha de inverno. A moda da estação, que no início parecia meio esquisita, agora parece fofa. Antes de cair em tentação, aí vai o conselho: não compre nada nos próximos dias! Já se esqueceu daquela vez, em que você comprou e logo depois entrou tudo em liqüidação?

Hoje é dia 20 de junho. As liquidações de inverno devem começar a pipocar na próxima semana. Os jornais farão matérias mostrando que as liquidações este ano - que surpresa - foram antecipadas. E você, minha amiga, verá na vitrine aquele vestidinho que ainda nem usou pela metade do preço…

Imprensa, volver!

Publicado por Marta em 19 Jun 2007 | sob: Jornalismo

Aparentemente um general da ativa encomendou editoriais raivosos a grandes veículos da imprensa contra a concessão da patente de coronel ao guerrilheiro Carlos Lamarca. Na Veja, o editorial saiu como se fosse matéria e sequer houve preocupação em dar aparência jornalística à versão ditada pelo militar: “Em 1969, o capitão Carlos Lamarca traiu seus companheiros de farda, roubou armas e munição do quartel onde servia, desertou do Exército e, a soldo de uma potência estrangeira, matou inocentes a sangue frio com o objetivo de implantar no Brasil uma ditadura comunista.” Juro que esse é o lead da “matéria”.

Preocupa a facilidade com que os militares conseguem, hoje, recontar na grande imprensa a história do país…

Basta de indignação

Publicado por Marta em 19 Jun 2007 | sob: Jornalismo

As pessoas estão perdendo a capacidade de se indignar. Que bom. O noticiário anda tão negativo que começa a haver um descolamento entre a realidade e o que a gente lê no jornal ou vê na televisão. Um belo dia, você deixa de ler os detalhes sórdidos no jornal (ou pára de ver o Jornal Nacional) e percebe que aquilo não fez falta. Ao contrário, como que por mágica, aquele dia normal que você levou – o trânsito não estava tão ruim, fez um sol bonito, alguém teve um bebê – passa a fazer sentido.

Ok, você vai continuar cruzando com alguém indignado com a corrupção e a violência, no cafezinho ou no elevador. Para não repetir o noticiário que se repete, essa pessoa vai acrescentar uma história pessoal – que aconteceu com a sogra do Fonseca, você se lembra dele, não é? Mas, estranhamente, não dá vontade de continuar aquela conversa. Você demonstra estar razoavelmente por dentro do noticiário, mas não precisa mais se transtornar, se exaltar, estragar o seu dia. Afinal, o dia está bonito e o trânsito nem estava tão ruim assim…

Urbanos e complicados

Publicado por Marta em 18 Jun 2007 | sob: Comportamento

Você já viu um comercial na TV em que um pôr-do-sol mixuruca, um beija-flor e uma plantinha nascendo num vaso provocam comoção em grupos de urbanóides (como nós)? É muito bem sacado. Termina com um “você precisa ter mais contato com a natureza” e a imagem de uma linha off-road da Fiat, no topo de um vale fantástico.

Depois do último filme que assisti, o da plantinha, me lembrei que ainda não tinha comprado a “Vida Simples” deste mês. Tudo a ver. Assim como comprar a revista me dá a sensação de estar descomplicando a minha vida – quando na verdade estou sempre arrumando novas complicações para ela -, muita gente compra um jipão para se sentir pertinho da natureza durante o congestionamento.

Para quem não conhece, a “Vida Simples” é uma revista mensal da Abril dessas que valem colecionar, de tão caprichada. O comercial do Fiat Adventure está passando direto no GNT e foi feito pela agência Leo Burnett.

Conforme antecipou…

Publicado por Marta em 18 Jun 2007 | sob: Cotidiano

Não é para me gabar, mas dois posts deste blog viraram matéria esta semana. A capa da Veja diz que 5 milhões de pessoas estão se preparando para concursos públicos. E conclui que vale a pena tentar… Sobre o filme-gracinha “Um lugar na platéia”, uma matéria no Globo de hoje mostra que a fita tornou-se fenômeno de boca-a-boca no Rio.

A infidelidade vale a pena

Publicado por Marta em 15 Jun 2007 | sob: Comportamento

Fidelidade é a maior roubada. Se o outro tiver certeza da sua lealdade, então, esteja certo: você está sendo maltratado.

Melhor me explicar, antes que eu seja recebida em casa com um rolo de pastel na mão. A fidelidade pode ter seu valor nos relacionamentos, mas estou convencida de que, na indústria de consumo, quem acredita nela é trouxa.

Já fiz muita matéria sobre programas de fidelização (êta palavrão), mas hoje acho a maior graça quando sou assediada por um deles. Nada é menos compensador do que ser fiel a uma empresa, uma marca ou um prestador de serviço. Sinalize que será fiel - aderindo ao programa, aceitando o cartão de cliente preferencial ou, pior, assinando um contrato de um ano - e certamente será passado para trás.

Vamos aos fatos. Quando você recebe uma cartinha da editora dando vantagens para renovar a assinatura de sua revista com seis meses de antecedência, pode ter certeza de que as condições serão melhores quanto mais tempo demorar a renovação. Provavelmente, não assinantes estão recebendo ofertas com descontos muito maiores.

O teste do valor da infidelidade pode ser comprovado com qualquer empresa do cartão de crédito. Tente cancelar o dito cujo e logo cairá num departamento de retenção de clientes, com autoridade para reduzir ou até eliminar o valor da anuidade. Se você não ameaçou sair batendo a porta, meu caro, continuará pagando o valor integral.

Nas butiques, o assédio para fazer um cadastro, e se tornar um cliente “preferencial”, enche o saco. As alegadas vantagens costumam ser confusas: “Você acumula pontos e troca por um desconto de 10% na compra que fizer no mês do seu aniversário”. Quem não quer levar vantagem, já perguntava Gerson? Quando percebemos, lá estamos nós, informando dados valiosos (que são vendidos) a troco de nada.

A Veja fez uma matéria curiosa sobre essa mania dos cadastros. Contava que na Tiffany do Shopping Iguatemi o cliente simplesmente não compra se não informar seus dados, mesmo que tenha dinheiro vivo na mão. Quer dizer, as marcas estão assumindo que o tal programa de fidelização só é bom para a empresa, e obrigam o pobre do cliente (nem tão pobre assim, no caso da Tiffany) a aderir.

Mas trouxa mesmo foi um australiano, mencionado outro dia numa resenha do Robinson Borges no Valor. O sujeito tatuou as letras G-U-C-C-I no pescoço e tornou-se case de fidelidade a uma marca. Alguma a Gucci (na verdade uma das muitas grifes do grupo francês PPR) deve ter aprontado, porque, dois anos depois, ele fez uma cirurgia para retirar a tatuagem. Colocou no lugar a marca da Marinha australiana…

Letras e shoppings

Publicado por Marta em 14 Jun 2007 | sob: Rio

As livrarias charmosas do Rio são realmente tudo de bom. Para os cariocas que têm preconceito com shopping, uma má notícia: o formato parece que vingou nos “templos de consumo” (argh, não acredito que cometi esse sinônimo!). Outro dia, na Travessa de Ipanema, um funcionário comentava com outro que tinham sido ultrapassados, no sábado, pela filial do Shopping Leblon, em número de livros vendidos. E olha que nem tinha chovido…

Arrisque uma ida ao cinema

Publicado por Marta em 14 Jun 2007 | sob: Diversão e arte

Depois que acabei o livro, coloquei o cinema em dia. Vi quase tudo que está em cartaz e ainda os lançamentos em DVD. É tanto filme para sugerir aos amigos, que até me perco. Esta semana vi um, brasileiro, que me deixou especialmente (bem) impressionada. É “Não por acaso”, já comentadíssimo pela crítica especializada.

É um raro filme sobre relacionamentos em que personagens masculinos são mais interessantes que os femininos. Leonardo Medeiros, um ator que nunca tinha me chamado a atenção, está excepcional, como um metódico e contido engenheiro de trânsito. O filme mostra como a obsessão pelo controle e pela previsibilidade pode se tornar uma prisão. E também como ela se revela inútil.

Todos nós, depois dos 30 anos, começamos a buscar mais o familiar - e menos a aventura. É bacana quando a aventura invade nossas vidas, sem pedir licença. Mas um outro filme, uma deliciosa comédia romântica francesa chamada “Um lugar na platéia”, nos lembra a importância de dar chance à sorte. Ou seja, arriscar um pouco, planejar menos, ou simplesmente deixar algum espaço na nossa atribulada agenda para a vida acontecer do jeito dela - e não do nosso.

A francesinha que se deixa levar pela vida é bem jovem, claro. Não tem nada a perder. Já aqueles com a vida ganha… Peralá! Que raio de expressão é essa? Ninguém está com a vida ganha! “Não por acaso” mostra que a vida é um perde-ganha desgraçado. E, na hora de jogar, não dá para dizer “passo”, em nome da rotina.

Mães malucas

Publicado por Marta em 12 Jun 2007 | sob: Femininas

Deveria haver uma espécie de disque-denúncia para casos de abuso psicológico de mães sobre filhos pequenos. Pensando bem, é um absurdo que uma pessoa, só por ter parido, exerça um poder tão absoluto sobre um serzinho indefeso como uma criança.

Já cansei de ver mães apelando para o “cuidado com o bicho papão” ou “você vai cair e morrer, se subir nessa cadeira”, para tentar controlar os seus pestinhas. Parece que, com a prática, algumas mães vão aperfeiçoando sadicamente suas ferramentas de controle. Descobrem que, além do medo, têm o poder de provocar a culpa.

Saca aquele marmanjo, barbado, que parece um bebê quando lembra que se esqueceu de ligar para a mãe? Agora percebo que o coitado foi adestrado desde pequeno, com esses instrumentos de tortura maternos.

Outro dia brinquei com a mãe de um menino de 6 anos, dizendo que eu tinha mais chances de passar os Natais com a minha filha, quando ela for adulta - já que as mulheres decidem a programação familiar - e ela ficou transtornada. “Digo sempre ao Júnior que eu morro se ele me abandonar um dia, porque ele é a razão da minha vida”. Tomara que a namorada do Júnior consiga convencê-lo a encarar algumas seções de análise…

Em matéria de mãe maluca, nada se compara à seguinte cena presenciada por mim no saudoso restaurante Ataulfo (parece que vai virar um Giuseppe, de massas): a mãe acaba sua taça de sorvete e percebe que o filho, de uns 4 anos, quase não comeu a dele. Imediatamente começa a dar colheradas no que sobrou, enquanto dispara, furiosa: “Viu, você não come nada e a mamãe engorda por sua causa, porque eu sou obrigada a comer o que você deixou.”

Mulheres e sapatos

Publicado por Marta em 11 Jun 2007 | sob: Comportamento

Os homens não entendem a relação das mulheres com os sapatos. As mulheres também não. Como tento controlar meus comportamentos exageradamente mulherzinha, tinha decidido que, desde que passei a bater perna entre Leblon e Ipanema, não iria mais comprar sandálias e sapatos que me fizessem calo no primeiro quarteirão. Juro que tentei.

A busca pelo sapato perfeito, lindo e prático, é uma espécie de metáfora da vida da mulher. É claro que esse calçado não existe, mas não cansamos de procurar, tentar um novo salto, aproveitar uma liquidação, tentar novamente. Nós, mulheres, vamos tentar conciliar certas coisas a vida inteira: o romantismo do namoro com a estabilidade do casamento, a maternidade com o sucesso profissional, a dieta do momento com o imprescindível chocolate dos momentos difíceis.

Isso me lembra um sujeito que perguntou: por que a namorada vivia de dieta - e aquilo era um problema na hora de jantarem fora - e depois ele encontrava papéis de bombom escondidos no carro dela? Pergunta difícil. Como diz a piada, homem não tem que entender a mulher. Tem que decorar e ponto.

Ah, no dia dos namorados, um sapato é bem vindo. Mas lindo, por favor.

Gente espaçosa

Publicado por Marta em 06 Jun 2007 | sob: Comportamento

Você conhece o tipo. Acabei de almoçar ao lado de um deles, no Delírio Tropical. O sujeito colocou o celular e os óculos escuros na mesa ao lado e foi ler o jornal. Era o meu espaço da mesa, mas ele simplesmente não percebia. Quando fechou o jornal, ameaçou tirar a tralha, mas se limitou a arrastá-la um pouco.

Outro dia, no cinema, a cena foi inacreditável. Eu tinha colocado a minha bolsa na cadeira ao lado, mas quando percebi que um grupo entrava na mesma fileira, me prontifiquei a retirá-la para eles sentarem. A perua não se sentou: esperou eu tirar a bolsa, instalou-se no lugar ao lado e ajeitou cuidadosamente sua sacola de butique na cadeira. Ocupando todo o espaço. Não era uma sacola tão grande, mas ela cuidou para que ocupasse toda a cadeira, enquanto eu a olhava perplexa, com a minha bolsa no colo.

É claro que a espaçosa fez comentários em voz alta durante todo o filme. Os espaçosos adoram cinema. Devem pensar: “Oba, aquele lugar grande, só para mim!”. Já me aborreci algumas vezes, bati boca, mas agora estou numa fase zen. Percebi que eles não vão “se tocar”. Nunca. E eu vou perder o filme por estar espumando de raiva. O jeito é contar até dez, pensar em desabafar no blog e torcer para essa impressão de que os espaçosos estão proliferando seja apenas uma impressão.

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