Vexame olímpico

Publicado por Marta em 18 Ago 2008 | sob: Opinião

Faço minhas as palavras de Marcelo Tas:

“Claro, é emocionante ver Cesar Cielo se tornar campeão olímpico, o homem mais rápido de Pequim nos 50 m. Um grande atleta, patrocinado por sua abnegada e honrada família de Santa Bárbara do Oeste, interior de São Paulo.

Triste demais é ver as patéticas comemorações galvãobuênicas na TV. Como se, de um momento para outro, o Brasil através de Cielo se tornasse uma potência no esporte. A barulheira boboca tenta, mas não esconde, a tragédia que é o esporte brasileiro. Cielo só conseguiu seu feito histórico porque está há três anos treinando nos Estados Unidos. É um talento que se desenvolveu justamente porque se isolou da mediocridade que é a política pública para o esporte olímpico verde-amarelo.

A dura realidade é que antes de Cielo estávamos em 38º, atrás de potências como o Vietnã, no quadro de medalhas. Agora, com esse ouro isolado, estamos em 27º, atrás de “gigantes esportivos” como Mongólia e Romênia. Pessoal, vamos combinar: O Brasil é um vexame olímpico! Cielo, uma exceção e não produto da “pujança esportiva” brasileira, como querem os eufóricos locutores berradores e bobocas.”

Essa foi tirada do Blog do Tas, mas hoje certamente teremos outras boas sacadas diretamente de Pequim no Custe o Que Custar (CQC), às 22h, na TV Band.

Em águas profundas

Publicado por Marta em 15 Ago 2008 | sob: Cotidiano

Ele era peão da obra, quando a balsa que atravessava o rio virou com uma carreta. Pergunta dali, pergunta daqui, e alguém lembrou que Benedito havia sido da Marinha, e mergulhava. Arrumaram um escafandro e durante 40 dias ele mergulhou, tateou na água barrenta e içou os equipamentos puxados à superfície por um trator.

Os anos eram os 60, e a profundidade, 45 metros. Encerrado o trabalho, parabenizaram-no e informaram que seria contratado como “encarregado da balsa”.

- Eu não sabia o que era “encarregado”. Achei que fosse carregar alguma coisa. Depois é que descobri que ia ser chefe. Pensei: “Ah, bão. Aí a coisa muda de figura.”

A historinha aí de cima, narrada com o delicioso sotaque mineiro, faz parte do novo livro que estou escrevendo, para uma empresa. Quando puder, dou mais detalhes. Por enquanto, quem está imersa sou eu, nas gravações das entrevistas.

Malhando com as estrelas

Publicado por Marta em 15 Ago 2008 | sob: Cotidiano

Achei que era só eu. Mas hoje, quando o professor anunciou que Rodrigo Santoro estava ali atrás, a mulherada toda desdenhou.

Deixa eu explicar melhor. Claro que o ator é bonito, interessante etc. Mas daí a achar que todas as mulheres do mundo vão suspirar ou passar mal porque o galã está malhando ao lado…

- Já passei dessa fase – disse uma das quarentonas (mas inteiraça) presentes - Se ainda fosse alguém próximo, que eu conhecesse de verdade.

Mas pode ser que a minha turma de ginástica só seja assim tão blasé porque convive, dia sim dia não, com Reynaldo Gianecchini na academia.

Farsa em Pequim

Publicado por Marta em 13 Ago 2008 | sob: Opinião

meninas de pequim - meninas de pequim

A China vai se adaptar ao mundo ou o mundo se renderá à lógica chinesa? Foi o que pensei ao saber dos bastidores da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. A menininha que cantou no estádio era uma farsa, a transmissão ao vivo escondia uma cuidadosa montagem e até torcedores fakes estão sendo colocados em espaços vazios das arquibancadas.

Lá, na China, a revelação não é um escândalo. Afinal, o caminho do crescimento deles passou por copiar, reproduzir, ignorar individualidades (como a da menina que ganhou o concurso de canto, mas foi dublada porque tinha os dentes tortos) em nome do bem coletivo. Nós, nos países democráticos e ocidentais, ficamos espantados. Ou seria falsamente espantados?

Na verdade (ops), estamos nos acostumando a relevar alguma dose de farsa, em nome do entretenimento. Nos reality shows, pessoas representam personagens, fingindo ser elas próprias. Nas revistas, bundas ficam sem celulite e rugas são eliminadas por fotoshop, enquanto celebridades posam em salas decoradas como se estivessem em suas casas. Na nossa internet, tão livre, proliferam perfis falsos e vírus travestidos de mensagens inocentes. Em todas as mídias, departamentos comerciais pressionam as áreas de jornalismo e entretenimento para inserir da forma mais disfarçada possível a publicidade e o interesse do cliente.

Já percebi que a geração mais nova não se importa tanto se algo “é de verdade” ou apenas “parece ser de verdade”. O importante é garantir o show, a diversão, as emoções que rapidamente serão substituídas por outras. A celebridade toma realmente aquele refrigerante ou foi paga para exibi-lo? A foto espetacular é uma montagem? Que importa, dirá um adolescente descolado.

Talvez os chineses, apenas, não tenham percebido as nossas regras para tornar tênue essa fronteira, por desconhecerem o protoloco de falsificação que vigora do lado de cá do planeta. Definitivamente, não precisavam ter distribuído um press-release afirmando que a menina de dentes perfeitos ganhara o concurso de canto, disputado por mil garotas. Mentira assim, deslavada, pega mal por aqui.

Sozinho no pódio?

Publicado por Marta em 11 Ago 2008 | sob: Jornalismo

Adoramos rankings. Já existem até rankings de rankings, tão grande é o nosso fascínio por este tipo de hierarquização. Por isso não me conformo quando leio que alguém já é o terceiro lugar em alguma coisa, e ponto final. Ultrapassou quem? Quais são o primeiro e o segundo colocados? Neca de pitibiriba de informação, porque afinal não era esse o tema principal da matéria.

Juro que tento não usar este espaço para fazer uma crítica da imprensa, porque já tem gente boa fazendo isso por aí. Mas, nesse caso, me senti perseguida, quase punida, por ser mais curiosa que os repórteres de plantão.

Está no Globo de hoje: “Veja como o capitalismo por aqui cresceu e se multiplicou. O Brasil é hoje o terceiro país do mundo com maior número de empresas de capital aberto nas Bolsas de Nova York e da Europa.” E no de ontem: “O país já é o terceiro maior consumidor mundial de produtos para alisamento de cabelo.”

Ok, dá para imaginar que os Estados Unidos lideram os dois rankings. Digamos que a informação foi omitida para não subestimar os conhecimentos do leitor. Mas os segundos colocados não são tão óbvios assim. Além disso, nestes tempos de olimpíadas, não dá uma vontadezinha de conhecer o quarto lugar, para saber quem ficou para trás e gritar “Brasil-il-il”?

Pior é que não achei as respostas no Google, para dar o fecho certo para este post. Também, quem manda ter interesse pelo mercado de capitais e pela indústria de cosméticos ao mesmo tempo?

Ter filhos: quando é melhor nem sabê-lo

Publicado por Marta em 08 Ago 2008 | sob: Comportamento

Fiquei chocada com uma cena que presenciei na academia, onde tomo banho antes de ir para o trabalho. Uma menina de uns 5 ou 6 anos, depois da aula de natação, era obrigada pela mãe a passar por uma sessão de … escova!

A menina dizia “Mãe, tá quente!”, tentando escapulir do secador que a mulher mirava no couro cabeludo da coitadinha. A mãe respondia, em tom carinhoso, mas sem dar trégua: “Só mais um pouquinho” ou “Já está acabando”.

Nem preciso dizer que a mulher tinha um cabelão, que eu juraria ser superliso de nascença, se não relacionasse os fatos. A menina também tinha cabelo comprido, provavelmente ondulado demais para o gosto da progenitora. E dá-lhe baforadas quentes, bem no comecinho do cabelo, que é o segredo da escova bem feita, para quem não sabe.

Essa história de mulheres que tentam fazer das filhas uma espécie de miniatura de si próprias, a qualquer custo, sempre me intrigou. Não é muito mais interessante observar uma personalidadezinha própria aparecendo na sua frente, como mágica? Mas não. Pais e mães adoram relacionar as características do filho às suas. “Igualzinho à mãe”, “Igualzinho ao pai”. E a criança vai ouvindo aquilo, aprendendo que deve ser assim ou assado, para não decepcionar os adultos que mais ama.

Quando eles chegam ao ponto de colocar-lhe roupas desconfortáveis, e até torturá-la com secador, como se a criança fosse um objeto decorativo, aí dá para pensar se essa campanha para não ter filhos não veio em boa hora. Quem tem filho para exibir ou fazer companhia pode tranqüilamente escolher outras fontes de prazer - se a maternidade deixar de ser uma obrigação e passar a ser uma opção.

O assunto está bombando na imprensa desde que foi lançado no Brasil o livro “Sem filhos – 40 razões para você não ter”, da psicanalista Corinne Maier. Quem ainda não esbarrou com artigos por aí pode ter uma dimensão da polêmica no blog Contemporânea, da Carla Rodrigues. Trata-se de uma discussão das boas.

Confesso que já me flagrei tentando convencer amigos inseguros a ser pai ou mãe, por achar que vão curtir a experiência (como eu) e desempenhar relativamente bem o papel (como eu!). Ao mesmo tempo, já pensei também: “Por que diabos essa pessoa teve um filho?”. Foi, aliás, exatamente o que me ocorreu no banheiro da academia, hoje de manhã.

Exagerei no gloss

Publicado por Marta em 05 Ago 2008 | sob: Comportamento, Opinião

Kirchner - Kirchner

A foto acima, divulgada hoje pela agência Reuters, me fez lembrar um diálogo que escutei na semana passada.

Ela, infinitamente mais jovem e bonita que a Cristina Kirchner da foto, mas com boca igualmente carnuda, retocava o gloss da Victoria’s Secret, sem ajuda de espelho. No fim, perguntou se tinha ficado ok. No que ele respondeu:

- Está ótimo. Parece que você acabou de comer um javali.

***

Por falar em Cristina Kirchner e Mercosul, que é o assunto dos jornais, convenhamos que dá um certo desânimo acompanhar esse noticiário, depois de páginas e páginas sobre a Rodada de Doha, que não deu em nada.

Rescaldo de NYC

Publicado por Marta em 01 Ago 2008 | sob: Viagens

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Baixando as fotos da viagem, lembrei do dia em que presenciamos os famosos bombeiros de Nova York em ação. De verdade. O acidente não era grandes coisas: uma caminhonete adentrou a portaria de um prédio na Little Brazil Street, esquina com Fifth Avenue, aparentemente sem feridos. Foi o suficiente para uma pequena multidão se instalar ao redor, com celulares em punho para a foto do dia.

Os homens do FDNY (Fire Department New York) tornaram-se exemplo maior de heroísmo depois do 11 de setembro, quando 200 deles morreram tentando resgatar as vítimas do atentado. Continuam brilhando nas manchetes por motivos mais prosaicos, como o calendário que estrelam anualmente e causa alvoroço entre a mulherada. No ano passado, um vídeo erótico com um deles foi divulgado na internet, e o calendário chegou a ser suspenso.

Eu confesso que entrei no clima da tietagem. Descia a pé a Quinta Avenida quando percebi a confusão. Entrei na multidão e tirei minha foto. Parecia parte do tour.

Poesia, numa hora dessas

Publicado por Marta em 31 Jul 2008 | sob: Comportamento

Quando eu tinha uns 13, 14 anos, meu pai me encheu de livros que gravitavam em torno da ditadura militar. Estávamos no fim dos anos 80, ainda sem eleições livres, e por algum motivo ele achou que era hora de eu saber das coisas da vida.

Lembro-me de ter ficado bastante impressionada com a questão da tortura. A partir dessa época, por uma estranha lógica que desenvolvi internamente, comecei a decorar versos. A idéia era que, se algum dia eu ficasse em uma situação de isolamento e dificuldade, teria textos na cabeça para me fazer companhia.

Como não era exatamente devoradora de poesia, passei a contentar-me em colecionar mentalmente letras de músicas. Era o tempo das rodinhas de violão, o que facilitava bastante as coisas. Quando a hipótese de um cativeiro, motivado pela militância política que eu nem tinha, parecia remota, arranjei outro motivo para justificar a decoreba: a iminência de uma hecatombe nuclear, outra paranóia da época. Caso eu ficasse presa em um abrigo, cercada de radioatividade…

Isso tudo me veio à mente outro dia quando vi o filme “O escafandro e a borboleta”. O personagem principal encontra-se numa situação absurda de encarceramento - dentro do próprio corpo, conseguindo expressar-se apenas por piscadelas do olho direito - quando é visitado por um amigo que sobreviveu a um longo seqüestro.

Havia motivos para ressentimentos por parte do sequestrado, que sequer recebera um telefonema do amigo quando retornara de seu suplício. Mas a cumplicidade fez-se mais forte. Ele arrisca, então, um conselho, baseado na sua terrível experiência: para sobreviver, agarre-se ao que resta de humanidade dentro de você.

Hoje nem penso em tragédias desse tipo, mas fiquei feliz por ter mantido o hábito de guardar versos. Ainda hoje, flagrei-me cantarolando na carro, tentando decorar as letras do novo CD da Adriana Calcanhoto, que é maravilhoso.

Novo visual

Publicado por Marta em 29 Jul 2008 | sob: Cotidiano

Gostaram? Quis mudar, entre outros motivos, para me animar. Mais de ano, blogando, já viu. É que nem relação, tem seus altos e baixos. Sobre isso (a experiência de blogar), aliás, pretendo escrever numa página separada. Que agora vai aparecer lá em cima, junto com “Início”, “Eu vi” etc. Aguardem.

Que livros?

Publicado por Marta em 29 Jul 2008 | sob: Cotidiano

De uma conhecida, quando eu comentei que já tinha feito curso na Casa do Saber:

- Ah, ouvi falar desse lugar. Como foi o curso?

Mas ela tem a estranha mania de perguntar e não deixar os outros responderem. Então emendou:

- Parece que lá é bom para paquerar. E também para quem não tem tempo de ler livros. Mas eu leio livros.

Perto dos 50 anos, com aparência de 40, está solteira e faz o tipo pragmática. Ficou na dúvida se fazia um cursinho numa casa do saber, para arrumar namorado, ou se tentaria um mestrado - dessa vez até o fim - para melhorar o currículo.

Saber, saber, ela jura que já sabe, porque lê livros.

Filosofadas de viajante

Publicado por Marta em 26 Jul 2008 | sob: Viagens

Conheço pessoas que não gostam de viajar. Trata-se de gente quieta, que não alardeia por aí sua preferência pelo abrigo familiar, e talvez nem admita para si própria o desconforto em dormir fora de casa. Mas eles são muitos, e em geral justificam as poucas viagens do currículo com motivos verossímeis - falta de tempo, de dinheiro.

Ok, mas sabemos que quem gosta mesmo de viajar dá um jeito. O viajante apaixonado, mesmo duro, põe mochila nas costas, economiza, deixa de comprar ou trocar de carro. Se tem filhos, abre mão da casa de praia, uma espécie de âncora no pé do viajante, e acostuma os pimpolhos desde cedo com a canseira da estrada ou dos aeroportos lotados, nas férias escolares.

Viajar é a aventura que nos resta. Adoro. Sofro também, e gosto de voltar para casa. Mas logo estou programando a próxima. Não consigo imaginar um futuro sem viagens a lugares novos, desconhecidos. A sensação de ser estrangeira é inquietante, quase angustiante, e ao mesmo tempo libertadora. Vicia.

A idéia de ser intruso e voyer de outras culturas, sob a fachada consentida de turista, é excitante. Às vezes, caminhando sozinha numa rua estrangeira, tenho a fantasia de que serei descoberta: “Ei, você aí. Deleitando-se com a diversidade da natureza humana, hein? Aproveitando para esquecer da sua vida, enquanto investiga a nossa… Peguei você, minha cara.”

Essa quase culpa pelo prazer de viajar talvez revele uma outra faceta minha: não sou a turista mais desencanada do mundo, como gostaria. Preocupo-me um pouco; canso, muito. Sempre planejo que relaxarei, e dormirei, mais na próxima viagem. Mas, em geral, volto exausta, com sono atrasado. Desfaço as malas e preciso ficar um, dois dias me refazendo.

Mas a vida é mesmo assim - aprendemos na escola e na nossa cultura cristã. Vivências emocionantes e realizações verdadeiras parecem cobrar sempre uma taxa em sofrimento, em concessões. Viajar, assim como criar um filho, exige dedicação. E também está no rol das coisas que dão sentido à vida, sabe-se lá por quê.

Melhor foto da viagem

Publicado por Marta em 24 Jul 2008 | sob: Viagens

NY Central Park - NY Central Park

Como faz tempo que não dou de mãe coruja por aqui, aí vai: a melhor foto da viagem a Nova York foi tirada pela minha filhota, de 8 anos. A menina tem futuro, não?

O clique foi no Central Park, depois do almoço no Boathouse - que vale a fila.

Turismo na Europa ou nos EUA?

Publicado por Marta em 22 Jul 2008 | sob: Viagens

De um americano, comparando fazer turismo nos Estados Unidos e na Europa: no velho continente, paga-se para ir ao banheiro; aqui, não. Lá, todas as gorjetas são obrigatórias e vêm expressas na conta. Aqui, só nos restaurantes. No caso de outros serviços, a “tip” só deve ser paga se o cliente ficou realmente satisfeito. Ainda segundo ele, nos hotéis americanos sempre há máquinas de gelo, e o hóspede pode se servir à vontade, enquanto na Europa é preciso pedi-lo no quarto, o que gera burocracia e gorjeta.

Tive que concordar com a história dos banheiros. De fato, ir distraída e apertada ao toilette e se deparar com uma roleta na porta é bem desagradável. Sem contar que, invariavelmente, estamos sem moedas nessa hora. Quanto ao resto, sei não. As gorjetas obrigatórias dos restaurantes americanos compensam qualquer outra situaçào em que são espontâneas: variam de 15% a 20%, mesmo que o serviço tenha sido grosseiro (ou falsamente simpático, o que é mais comum por aqui).

Quanto ao gelo… Por que mesmo os americanos acham-no tão essencial? Vou tentar descobrir na próxima viagem. Agora, estou voltando.

Pedalcab no Central Park

Publicado por Marta em 19 Jul 2008 | sob: Viagens

Tinha prometido para minha filha que faríamos um passeio de charrete no Central Park. Todo mundo que vem a NY tem algumas cenas de filmes na cabeça, passeios e lugares que gostaria de visitar para se sentir como na tela do cinema. Com ela nao é diferente: seu “filme NYC” é “Encantada”, uma fantasia bem bacana da Disney que estava em cartaz até pouco tempo atrás.

Pois chegamos no parque e não achamos as charretes. Descobrimos que, quando a temperatura atinge os 90 graus Fahrenheit (32 Celsius), a prefeitura proíbe o passeio, para não judiar dos cavalos.

Mas não há tantas leis protetoras do trabalho de gente por aqui. Se o calor é demasiado para os cavalos, não faltam imigrantes de pernas fortes para substitui-los. Assim, os “pedalcabs” ralam sem parar no verão infernal da cidade. São táxis puxados por ciclistas, que têm serviço garantido o ano inteiro graças ao congestionado trânsito nova-iorquino. Nesta época do ano, ganham um extra no lugar dos animais.

Creio que minha filha imaginava algo mais romântico, como tinha visto no seu filme preferido. Mas fomos de pedalcab mesmo. Com as pernas doendo de tantas caminhadas (por enquanto, mais compras do que museus…), apelamos para o estranho transporte. Com algum constrangimento, é verdade.

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